Postado em: 12/09/2017 12:31:25 - Atualizado em 19/09/2017 10:56:34

Post by: diego

Organizações da Agricultura Familiar se reúnem para discutir a cadeia do leite na Região Sul

A atual conjuntura da cadeia leiteira tem preocupado lideranças, entidades, cooperativas e agricultores familiares da Região Sul diante do quadro de gradativa redução dos preços.

Na última sexta-feira – 08.09 – representantes do Sistema FETRAF  e da UNICAFES no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, bem como de cooperativas e associações de agricultores familiares que atuam na organização e/ou comercialização da produção leiteira na Região Sul do Brasil reuniram-se em Chapecó-SC para discutir sobre a cadeia produtiva.

O objetivo do encontro foi de contextualizar a realidade de cada estado e definir coletivamente a pauta de ações urgentes e estratégicas.

A partir dos dados apresentados, percebe-se a importância da atividade quando nota-se que a região Sul responde por 1/3 da produção nacional e o estado do Paraná por mais de 1/3 do volume produzido na região Sul. Cabe ressaltar que enquanto a produção brasileira encontra-se estabilizada, no Sul ela ainda cresce na faixa de 1,5% ao ano. No entanto, estes mesmos dados revelam a concentração da produção, a diminuição do consumo e a importação de leite de países como o Uruguai e Argentina, entre outros, que tem influenciado de forma significativa para a queda dos preços do produto no Brasil.

Neste sentido, estão colocados alguns desafios para a cadeia leiteira não apenas na região Sul, que passam pela:

- Organização: Adequar o modelo de produção para a realidade do agricultor familiar passando pelo acompanhamento técnico (ATER) e a comercialização;

- Qualidade do leite: Trabalho constante de manejo da estrutura, da sanidade dos animais, da água da propriedade e de diversos outros aspectos que influenciam na contagem bacteriana e de células somáticas;

- Produtividade a um preço competitivo: Em outras palavras é o custo de produção, que basicamente é a alimentação dos animais. É necessário aprimorar as áreas de pastagens permanentes, complementando-se com forragens e concentrado.

Portanto, é necessário adequar o modelo de produção e tecnológico à realidade da Agricultura Familiar.

Ilustraremos abaixo um gráfico que nos ajuda a compreender estes desafios e como eles devem ser priorizados pelos agricultores.

 

Percebe-se que muitos agricultores têm “invertido” esta pirâmide, investindo essencialmente em instalações sofisticadas e na alimentação à base de ração o que tem elevado de maneira significativa o custo de produção.

 

Encaminhamentos

Ao final do encontro ficou definido a construção de um documento unificado para debate com os agricultores familiares reunindo questões técnicas, de estoques, importações e aquisições da Agricultura Familiar, apresentando e construindo pontos para a pauta emergencial e estratégica da cadeia leiteira no Sul do País.

“É preciso dialogar com os agricultores familiares os riscos expostos a partir do sistema de integração que vem se colocando como alternativa de viabilidade à produção leiteira. Além disso, queremos alertar que a crise do setor provém da política econômica do Governo Federal que tem forçado a queda dos preços dos produtos com as importações”, finalizou Diego Sigmar Kohwald, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marmeleiro e Coordenador de Gestão e Finanças da FETRAF-PARANÁ.

 

Ações emergenciais

- Articular as ações de cooperativas e sindicatos que serão coordenadas por uma comissão conjunta;

- Organizar reuniões nas comunidades e/ou audiências públicas nos municípios e regiões para apresentação dos apontamentos do documento unificado e elencando propostas e ações;

- Realizar ainda no mês de outubro um seminário na região Sul aglotinando o resultado das agendas locais para definição da estratégia de ação;

- Analisar a conjuntura para a possibilidade de mobilizações nas empresas;

- Intervenção da CONAB para compras governamentais e formação de estoque.

 

Ações estratégicas

- Resgatar o aprendizado com as experiências já realizadas (COORLAF, ASCOOPER, SISCLAF);

- Programa de garantia de preços mínimos para o leite – PGPAF;

- Acompanhamento Técnico – ATER;

- Discutir modelo de produção;

- Instituir cotas máximas de importação;

- Política de competitividade para os lácteos da Agricultura Familiar;

- Política unificada de tributação de lácteos no Brasil;

- Política nacional de regulação dos preços de produtos agrícolas e pecuários;

- Redimensionar a estratégia para agregação de valor à produção através das agroindústrias familiares;

- Regulamentação da cadeia produtiva.

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